Sou feita de cobre e de urucum, de sal, açúcar e mangue,. De tudo que a terra insiste em colorir, quando mandam que seja discreta.
Há uma força antiga em quem risca o próprio caminho, em quem dança o batuque como quem reza. Num lugar acostumado a mulheres que falam baixo, quem tem voz brilha. Mulher que sabe de si não pede licença para ocupar espaço grande. Ela é o próprio espaço.
Nina Calcun veste essa mulher. Aquela que tem sempre uma palavra pronta a saltar da boca, que herdou de suas ancestrais o direito à inteireza.
Aqui não se cultua o discreto. Cultuamos a chama que derrete o morno, que dá vida ao ouro. Nós cultuamos a entidade chamada Mulher Latina